A poluição por plástico representa risco direto à saúde humana em todas as fases da vida, alerta uma revisão científica publicada na revista The Lancet nesse domingo (3/8). Os efeitos do material na saúde global custam mais de US$ 1,5 trilhão por ano (cerca de R$ 8,3 trilhões).
O relatório elaborado por pesquisadores de 12 países alerta que menos de 10% do plástico no mundo é reciclado e suas partículas comprometem o planeta e também os humanos, acabando se depositando em nossos órgãos.
A análise mostra que os efeitos podem ser reduzidos por meio de políticas públicas, mas alerta que a resposta global ainda é insuficiente para conter os danos. “O agravamento contínuo dos danos causados pelos plásticos não é inevitável. Semelhante à poluição do ar e ao chumbo, os danos causados pelos plásticos podem ser mitigados de forma econômica por leis e políticas baseadas em evidências”, alertam os pesquisadores.
Efeitos dos plásticos na saúde
Especialistas apontam que a exposição ao plástico começa ainda no útero e se estende até a velhice. O risco é ainda maior para populações economicamente vulneráveis, principalmente crianças.
Os cientistas também alertaram sobre os pequenos pedaços de plástico, chamados microplásticos, encontrados em toda a natureza e em corpos humanos. O efeito dos microplásticos na saúde ainda não é totalmente conhecido, mas pesquisadores alertaram sobre o impacto potencial desse plástico onipresente.
“Vivemos uma crise da poluição por plástico. Ela está causando doenças, morte e incapacidade hoje em dezenas de milhares de pessoas, e esses danos se tornarão mais graves nos próximos anos, à medida que o planeta continua a aquecer e a produção de plástico continua a aumentar”, alerta Philip Landrigan, médico e pesquisador do Boston College, nos Estados Unidos, um dos autores da pesquisa.
Além da poluição visível, há efeitos menos aparentes: até a proliferação de vetores de doenças tropicais como a dengue é potencializada por resíduos plásticos.
O que são microplásticos?
- Os micro e nanoplásticos são fragmentos minúsculos que se desprendem de objetos plásticos ao longo do tempo ou com o uso, como aquecimento, abrasão e lavagem.
- Eles já foram detectados em alimentos, no ar, na água e até no corpo humano, incluindo em órgãos vitais e na placenta.
- Testes com camundongos também identificaram essas partículas nos fetos, levantando preocupações sobre os impactos ainda desconhecidos na saúde.
Produção desenfreada
Segundo a pesquisa, a quantidade de plástico no mundo saltou de 2 milhões de toneladas, em 1950, para 475 milhões em 2022. Projeções indicam que a produção pode ultrapassar 1 bilhão de toneladas por ano até 2060.
Esse crescimento acelerado impacta o planeta de forma ampla. O relatório estima que ao alcançar 8 bilhões de toneladas já haveria a poluição completa de todos os ecossistemas, do topo do Everest ao fundo dos oceanos. O uso de produtos descartáveis, como embalagens de alimentos e garrafas, lidera esse aumento.
Segundo o relatório, reciclar não basta. Os plásticos são complexos e de difícil reaproveitamento. Ao contrário de papel, vidro ou alumínio, muitos materiais plásticos não são tecnicamente recicláveis e, em muitos lugares, resíduos plásticos são queimados a céu aberto. Esse processo libera partículas finas e compostos tóxicos, afetando a respiração, o coração e até o sistema neurológico das populações locais.
Fonte: Metrópoles