O presidente do União Brasil no Rio Grande do Norte, o ex-senador José Agripino Maia, afirmou que faltam fundamentos para as acusações de Luciano Bivar, ex-presidente da legenda, sobre um esquema de venda de diretórios estaduais e municipais em troca de propinas, supostamente conduzido pelo atual presidente do partido, Antonio Rueda. Agripino afirmou que a demora na divulgação evidencia a fragilidade das acusações e o distanciamento político entre eles.
“Bivar foi defenestrado da presidência da União Brasil pelo próprio comportamento. Só isso. São declarações feitas agora, extemporaneamente. Não tenho elementos para defender nem para acusar. O tempo desse tipo de acusação já passou e deveria ter sido feito na oportunidade devida. Não foi, claramente, por falta de fundamento”, disse, em entrevista à 98 FM.
O deputado federal Luciano Bivar (PE), fundador e ex-presidente do União Brasil, afirmou que Rueda comandava um esquema de venda de diretórios em troca de propina. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele declarou não ter provas formais das acusações, mas garantiu ter “absoluta certeza” da negociação: “Já presenciei negociatas dele no hotel onde se hospedava. Em troca, ele recebia propinas, e eu não acreditava que aquilo era verdade”.
As negociações teriam ocorrido em um apartamento alugado em São Paulo, usado para “receber encomendas”. “Ele me dizia que tinha alugado um apartamento em São Paulo para as pessoas deixarem encomendas lá. Encomendas em troca de negócios do escritório de advocacia. Mal sabia eu que era propina”, acrescentou. Bivar afirmou que, se tivesse provas, teria expulsado Rueda do partido imediatamente.
Bivar também fez críticas contundentes à conduta do atual presidente do partido. “A melhor coisa foi me separar dele ainda em vida. Imagina se eu morresse? Meus amigos e meus filhos sempre o veneravam como um grande amigo que eu tive. Tive tempo suficiente para dizer que aquele cara não é meu amigo, é um psicopata, um amoral, que tem uma necessidade imperiosa de aparecer, de comprar carros bonitos, de fazer festas ostensivas”.
“Ele vendia diretórios para políticos que diziam que poderiam fazer melhor pelo partido, mas, em troca, recebia propinas. Eu não acreditava nisso, mas hoje me penitencio por não ter percebido os sinais e as denúncias”, afirmou.
Bivar disse que decidiu tornar públicas as denúncias agora para não parecer um político vingativo após perder o comando do partido, afirmando que sua intenção é apenas esclarecer a situação. “Enquanto for dirigido por alguém que só trata de negociatas, não posso participar”, disse, justificando sua permanência à margem da legenda e a intenção de trocar de partido na próxima janela partidária.