A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) depositou, em julho, um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) referente a um material inovador: o carbeto de mononíquel (NiC). A descoberta tem potencial para armazenar e produzir hidrogênio, transformar a lactose do soro de leite em lactitol — adoçante de baixo teor calórico e anticariogênico — e até tratar resíduos de petróleo.
O desenvolvimento é resultado da dissertação de mestrado de Fábio André Moura Nóbrega, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da UFRN. O pesquisador explica que a principal contribuição está na criação de um processo mais simples, econômico e seguro para produzir o material em escala industrial, reduzindo custos e riscos operacionais em comparação a métodos tradicionais.
O protótipo gerado é um pó escuro, de granulação fina e em escala nanométrica, com estrutura cristalina cúbica e alto teor de pureza. De acordo com os cientistas, essas características o tornam um catalisador promissor para diferentes aplicações, como produção de hidrogênio e células a combustível.
Além de Nóbrega, participaram da pesquisa André Luis Lopes Moriyama, Camila Pacelly Brandão de Araújo, Carlson Pereira de Souza e Ila Gabriele Diniz Dias de Azevedo. O trabalho foi orientado pela professora Camila de Araújo, da Escola de Ciência e Tecnologia (ECT), que destaca o diferencial do material: o uso de níquel, metal abundante e barato, em vez de metais nobres como platina e paládio, normalmente utilizados em catalisadores.

Os estudos envolveram mais de 50 ensaios em escala laboratorial, com planos de expansão para plantas maiores. A pesquisa integra o Laboratório de Materiais Nanoestruturados em Reatores Catalíticos da UFRN e conta com parcerias científicas na França, Inglaterra e Canadá.
Camila de Araújo ressalta ainda que o trabalho se insere no contexto da transição energética, e que a ECT acaba de aprovar um Programa de Recursos Humanos (PRH) em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), voltado à formação de profissionais e ao desenvolvimento de novas pesquisas no setor.
Fonte: Agora RN