O Rio Grande do Norte tem a terceira maior fila de espera por transplante de córnea do Nordeste e, ao mesmo tempo, um dos menores números de cirurgias realizadas.
Segundo profissionais que atuam na área, o problema vai além da falta de doadores e envolve falhas na notificação de óbitos e de conscientização sobre a importância da doação.
A córnea é uma lente transparente que recobre o olho. A do comerciante Carlos Antônio da Lima já está completamente opaca. Ele só enxerga vultos pelo olho esquerdo depois de um acidente doméstico.
“Foi um acidente com água sanitária em casa. Eu tava fazendo limpeza da minha casa e foi no meu olho, ficou dessa maneira. Na mesma hora queimou. Já fui perdendo a visão, lavando, mas não via mais nada. Só aquela coisa turva”, contou.
Carlos entrou nesta semana na fila para receber o transplante e deve esperar cerca de três anos pelo procedimento, o tempo médio de espera no estado.
De janeiro a junho deste ano, o Rio Grande do Norte registrou 647 pessoas na fila por um transplante de córnea, o terceiro maior número do Nordeste, atrás apenas da Bahia (1.640) e de Pernambuco (1.447), segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
No mesmo período, apenas 80 cirurgias foram realizadas no estado. O número é bem inferior ao de outras regiões: no Ceará, por exemplo, foram quase 700 transplantes em seis meses. Lá, a espera média é de cerca de um mês.
Fonte: G1 RN