O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconheceu oficialmente a presença da praga quarentenária Xanthomonas campestris pv. viticola no Rio Grande do Norte. A medida consta na portaria (nº 1.443), publicada no Diário Oficial da União, e inclui o Estado na lista de unidades da federação com ocorrência da bactéria que atinge plantações de videira.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconheceu oficialmente a presença da praga quarentenária Xanthomonas campestris pv. viticola no Rio Grande do Norte. A medida consta na portaria (nº 1.443), publicada no Diário Oficial da União, e inclui o Estado na lista de unidades da federação com ocorrência da bactéria que atinge plantações de videira.
“O Rio Grande do Norte não era um produtor de uva. Consequentemente não se pesquisava com certa regularidade essa doença. E ao longo dos últimos três, quatro anos tem aparecido empresas investindo nesse segmento, inclusive produzindo vinho e o Idiarn fez um trabalho sobre a ocorrência de Xanthomonas aqui, porque não tinha esse conhecimento. Para nossa surpresa, apareceu a doença”, detalha.
A preocupação no momento é evitar prejuízos, reforça o secretário. “É uma coisa que a gente precisa avaliar para não causar um prejuízo agora, ou um prejuízo maior no futuro, porque tem uma empresa que está investindo pesado nisso aqui no Rio Grande do Norte”, diz.
A praga, segundo o titular da Sape, não altera o aspecto da fruta, mas pode comprometer o desenvolvimento das plantas. “Ela pode matar a planta. É uma ocorrência de uma doença que, perante o Ministério, tem um controle mais efetivo. E como o RN não tinha presença comercial tão forte de uva, essa praga não era importante para nós”, completa.
Entenda o que é a praga
A praga Xanthomonas campestris pv. viticola, conhecida como Cancro-Bacteriano da videira, é uma doença de origem bacteriana que atinge as plantas de uva e está entre as mais preocupantes para a viticultura brasileira. Ela provoca lesões que comprometem folhas, ramos e frutos, podendo levar à morte da planta quando não controlada.
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os primeiros sintomas aparecem nas folhas, sob a forma de pequenos pontos escuros de 1 a 2 milímetros de diâmetro, com ou sem halo amarelado ao redor. Essas manchas podem se unir e causar a necrose de grandes áreas do tecido foliar.
Nos ramos, nervuras e cachos, surgem manchas escuras e alongadas que evoluem para fissuras de coloração negra — os chamados cancros. As bagas (frutos) tornam-se irregulares em tamanho e cor, podendo apresentar áreas necróticas.
O monitoramento constante é essencial durante todo o crescimento da planta. A identificação precoce de focos permite adotar medidas de contenção e impedir que a doença se espalhe. Entre as principais ações de controle estão o uso de mudas sadias, a eliminação de ramos infectados e a desinfecção das ferramentas após o uso em plantas doentes.
Por se tratar de uma praga quarentenária A2, o Cancro-Bacteriano tem circulação restrita no País. Ele é tradicionalmente registrado nas regiões de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), polos produtores do Vale do São Francisco. O transporte de material vegetativo dessas áreas para outras partes do Brasil é proibido, justamente para evitar a disseminação da doença.
Fonte: Tribuna do Norte