A taxa bruta de frequência escolar no Rio Grande do Norte e em Natal, em 2024, evidencia uma trajetória de avanços na educação obrigatória, mas também limitações persistentes nos extremos do ciclo educacional. Segundo dados do IBGE, o RN ocupa a 11ª posição nacional e o 4º lugar no Nordeste, com taxa total de 28,4%. A capital, Natal, tem desempenho ligeiramente superior, com 29,8%.
No estado, a frequência entre 4 e 17 anos é praticamente universal: 96,4% (4 a 5 anos), 99,8% (6 a 10 anos), 99,1% (11 a 14 anos) e 94,8% (15 a 17 anos). Os dados indicam cumprimento das metas de universalização previstas pelo Plano Nacional de Educação e pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 4).
O desempenho cai de forma acentuada nos extremos etários. Entre crianças de 0 a 3 anos, a cobertura é de 38,3% — indicativo de que a oferta de creches segue insuficiente. No grupo de 18 a 24 anos, a taxa cai para 33%, revelando dificuldades de acesso ao ensino superior e de continuidade dos estudos após o ensino médio. Entre adultos de 25 anos ou mais, apenas 5,2% permanecem em formação.
Natal: capital tem melhor desempenho entre jovens, mas perde fôlego na pré-escola
Natal acompanha a tendência estadual, mas com características próprias de grandes centros urbanos. A capital registra taxa mais elevada entre jovens de 18 a 24 anos (44,8%), o que sugere maior inserção no ensino superior. Contudo, apresenta frequência inferior à do estado na pré-escola (90,4%) e mantém desafios na creche (36,4%).
Rede pública ganha peso, mas trajetórias divergem entre estado e capital
Rio Grande do Norte
Entre 2016 e 2024, o RN manteve a predominância da rede pública em praticamente todas as etapas. Na educação infantil, a participação pública saltou de 70,1% para 73,8%, com expansão mais expressiva na pré-escola (63,0% para 68,5%). Na creche, o aumento foi moderado (79,5% para 80,1%).
O ensino fundamental segue majoritariamente público, com alta de 78,0% para 79,2%. No ensino médio, a rede amplia sua participação de 84,9% para 86,7%. No ensino superior, ainda predominam instituições privadas, embora a participação pública tenha crescido de 43,6% para 47,6%.
Natal
O comportamento da capital contrasta com o do estado. Na educação infantil, a rede privada deixou de ser dominante: caiu de 62,6% para 50,4% entre 2016 e 2024. A rede pública, por sua vez, avançou de 37,4% para 49,6%.
A mudança mais expressiva ocorreu na creche, onde a participação pública passou de 42,3% para 60,4%. Na pré-escola, o setor público ampliou participação de 35,5% para 42,9%, embora a rede privada ainda seja majoritária.
No ensino fundamental, a rede pública manteve predomínio (57,4% para 59,2%). No ensino médio, porém, houve queda de 71,1% para 66,0%, indicando avanço relativo da rede privada. No ensino superior, a capital continua com maior concentração na rede privada.
Nível de instrução: país reduz analfabetismo e melhora trajetória escolar
Entre 2016 e 2024, houve avanço na escolarização da população de 25 anos ou mais no Brasil. O percentual de pessoas sem instrução caiu de 10,6% para 8,9%, enquanto o ensino fundamental incompleto recuou de 37,5% para 29,5%. O ensino médio completo cresceu de 25,0% para 29,3%, e o ensino superior completo passou de 11,9% para 17,2%. No RN, a taxa de analfabetismo caiu de 13,9% para 10,5% no período. Em Natal, a redução foi de 4,8% para 2,6%.
No Rio Grande do Norte, todas as etapas registraram melhora entre 2016 e 2024
Anos iniciais do fundamental (13 a 15 anos):
- 91,9% para 96,7%.
- Meninas seguem à frente (de 93,0% para 98,3%).
Ensino fundamental (17 a 19 anos):
- 75,7% para 88,1%.
- Destaque para avanço entre homens (70,2% para 86,7%).
Ensino médio (20 a 22 anos):
- 59,3% para 63,3%.
- Mulheres mantêm melhores resultados (63,4% para 68,3%).
Os dados mostram tendência contínua de ampliação da conclusão escolar, especialmente nas fases intermediárias.
Anos de estudo: jovem brasileiro permanece mais tempo na escola
- Média de anos de estudo (18 a 29 anos): 10,7 anos (2016) → 11,3 anos (2024)
- Jovens com ao menos 12 anos de estudo: 58,6% → 65,3%
A combinação de maior permanência e maior taxa de conclusão do ensino médio sugere avanços na trajetória educacional e impacto positivo sobre empregabilidade e mobilidade social.
FONTE: AGORA RN