A 22ª edição do Troféu Cultura do Rio Grande do Norte será realizada no dia 25 de fevereiro, no Teatro Riachuelo, com a proposta de reconhecer produções artísticas desenvolvidas entre 1º de novembro de 2024 e 31 de dezembro de 2025. As inscrições seguem abertas até esta terça-feira 20 e podem ser feitas pelo site versatilnews.com.br ou pelo Instagram @troféuculturarn.
As informações foram detalhadas pela diretora do prêmio, Tatiane Fernandes, durante entrevista concedida à Mix FM. Segundo ela, o Troféu Cultura “busca premiar, reconhecer os trabalhos que foram realizados no último período, no último exercício. Então, na verdade, a gente trata dos melhores do ano”.
O prêmio contempla dez categorias em diferentes linguagens artísticas, como audiovisual, música, artes cênicas, literatura e artes visuais. De acordo com Tatiane, “a ideia é que a gente consiga dar ao povo do Rio Grande do Norte mais informações daquilo que a gente realmente faz de bacana, de melhor nas artes”, além de valorizar quem está em atividade no período avaliado.
Nesta edição, o Troféu Cultura fará uma homenagem ao Encontro de Gerações. Os homenageados em vida serão Amaro Bezerra, descrito como “um grande homem do audiovisual brasileiro”, e Liz Nôga, ligado à música e à tradição da seresta.
Também haverá homenagens em memória. “Indiscutivelmente, esse ano a nossa homenagem vai a Titina Medeiros”, afirmou Tatiane. Além dela, Nivaldete Ferreira da Costa e Candinha Bezerra também serão lembradas.
O processo de seleção do Troféu Cultura combina inscrições abertas e curadoria. “Primeiro é o artista quem se inscreve”, explicou Tatiane, destacando que o modelo se inspira em premiações como o Oscar e o Grammy. As inscrições são avaliadas por uma curadoria formada por mais de 20 colaboradores de diferentes áreas artísticas. No dia 22 de janeiro, o grupo se reúne para definir os indicados.
Após essa etapa, o público participa da escolha do Artista do Ano por meio de votação. “São várias categorias que são destaques, que é o indivíduo artista. E para esses indivíduos a gente tem o destaque de melhor do ano, e quem vota é o público”, afirmou.
Tatiane Fernandes reforçou o convite aos artistas potiguares. “Quem pode se inscrever são aqueles que são do Rio Grande do Norte, mesmo que tenham se produzido em qualquer lugar do mundo, ou aqueles produtos artísticos que aconteceram aqui no Estado”, explicou. Segundo ela, o objetivo é “contemplar a população do Rio Grande do Norte com essa informação dos melhores de 2025”.
O Troféu Cultura tem como criador e proponente o jornalista Toinho Silveira. É viabilizado pelo Governo do Estado e Prefeitura do Natal, através das leis Câmara Cascudo e Djalma Maranhão, com patrocínio da Comjol e Ocean Palace. O evento conta ainda com o apoio da Fecomércio, Probec, Teatro Riachuelo e Premiere.
Gestão cultural do RN é frágil e carece de estrutura, avalia Tatiane Fernandes
Sobre o contexto cultural do Estado, Tatiane avaliou que o Rio Grande do Norte ainda enfrenta desafios estruturais. “Eu costumo dizer que o Rio Grande passou um pouquinho por baixo na construção das políticas públicas”, afirmou, ao citar a ausência de consolidação do Sistema Estadual de Cultura e a fragilidade da Secretaria Estadual de Cultura. Segundo ela, trata-se de “um órgão frágil, vulnerável, sem organograma, sem equipe, sem recurso”.

A diretora também comentou o funcionamento das leis de incentivo à cultura e suas limitações. “É raríssimo você ver as leis de incentivo patrocinando um livro, patrocinando um único espetáculo”, disse, ao explicar que, apesar de o recurso ser público, a execução do projeto depende do interesse das empresas patrocinadoras. “Quem acaba determinando o projeto que vai ser realizado de fato são as empresas apoiadoras”, afirmou.
Tatiane ainda criticou a concentração de recursos em grandes eventos. “A nossa gestão de cultura tende a uma repetição, de deixar o nosso dinheiro fluir para grandes shows”, disse, ao diferenciar eventos culturais de ações voltadas principalmente ao turismo, como o Carnaval.
Segundo ela, esse modelo acaba beneficiando o trade turístico, enquanto artistas locais enfrentam dificuldades para receber seus cachês. “As grandes festas são legais, a gente adora que elas aconteçam. Mas eu defendo muito a ideia de que tem evento cultural que está muito mais no âmbito do turismo”.
Ao abordar exemplos internacionais, Tatiane citou países que investiram de forma estratégica em cultura. “Há um pouco mais de 20 anos, talvez uns 30 anos, o governo da Coreia do Sul resolveu investir em cultura”, afirmou, mencionando também a Turquia e os Estados Unidos como nações que fortaleceram sua presença global por meio da indústria cultural.
Fonte: Agora RN
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