Com novas críticas à Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quinta-feira 22 a criação do chamado “Conselho da Paz”. O anúncio foi feito durante cerimônia realizada no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
A iniciativa reuniu cerca de 60 lideranças globais convidadas a integrar o conselho, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não respondeu ao convite. O presidente da Argentina, Javier Milei, participou do evento e esteve presente no palco.
Durante o discurso, Trump classificou a data como um “dia muito empolgante” e voltou a direcionar críticas à ONU — instituição que, segundo analistas, ele pretende enfraquecer com a criação do novo conselho. “Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, afirmou. Apesar disso, disse que o órgão dialogará “com muitos outros, incluindo a ONU”.
Segundo Trump, a proposta é que o conselho não se restrinja à Faixa de Gaza, mas tenha início no território palestino, que, segundo ele, será “desmilitarizado e lidamente reconstruído”. Na cerimônia, o presidente norte-americano assinou o documento que formaliza a criação do conselho, acompanhado por outros integrantes convidados que estavam no palco.
Além de Milei, também assinaram o documento o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev; o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán; o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto; e a presidente do Kosovo, Vjosa Osmani. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discursou e afirmou que o conselho será “um conselho não só da paz, mas da ação”.
Entenda
O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump com o objetivo de atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, podendo futuramente se envolver em outros conflitos internacionais.
De acordo com o estatuto do conselho obtido pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo e poderes ampliados. Países interessados em assentos permanentes deverão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões), valores que ficarão sob administração do presidente dos Estados Unidos.
Na comunidade internacional, a proposta gera preocupação. Há receio de que o Conselho da Paz funcione como uma espécie de “ONU paralela”, reduzindo a influência e o papel da Organização das Nações Unidas em negociações globais.