O Botafogo de Futebol e Regatas fracassou em seu principal objetivo no início da temporada e foi eliminado na fase preliminar da Copa Libertadores da América após a derrota por 1 a 0 para o Barcelona Sporting Club, de Guayaquil. O resultado no Estádio Nilton Santos não apenas tirou o clube da disputa pela fase de grupos como evidenciou problemas de planejamento e gestão que marcam o início do ano alvinegro.
A atuação irregular em campo contribuiu para a eliminação, mas o cenário fora das quatro linhas tem sido apontado como fator determinante para a queda precoce. Ao final da partida, o lateral Alex Telles reconheceu que a responsabilidade não se limita aos jogadores, refletindo um ambiente de instabilidade no clube.
Entre os principais problemas está o transfer ban imposto pela FIFA, conhecido internamente desde outubro e resolvido apenas em 6 de fevereiro. A punição impediu o técnico Sebastián Anselmi de contar com um elenco mais amplo e qualificado no início da temporada.
Alguns reforços sequer puderam ser inscritos nesta fase da competição, entre eles o meia Medina, considerado a principal contratação do clube, além de Edenílson, Júnior Santos e Nahuel Ferraresi, que chegaram posteriormente.
A limitação do elenco tem dificultado a implementação do modelo tático pretendido por Anselmi, que busca utilizar um sistema com três zagueiros. Sem opções suficientes para a função, jogadores como Mateo Ponte e Newton têm sido improvisados na defesa.
O desempenho defensivo também gerou questionamentos no gol. A má fase de Léo Linck e Neto, somada à falta de oportunidades para Raul, faz com que a diretoria avalie a possibilidade de buscar um novo goleiro no mercado.
Os problemas extracampo, no entanto, vão além da punição da FIFA. O atraso no pagamento de parte dos salários provocou insatisfação no elenco e quase resultou na saída do zagueiro Danilo. Paralelamente, permanece sem solução a disputa societária envolvendo John Textor, o grupo Ares Management e a holding Eagle Football, responsável pela SAF do clube.
O momento é considerado um dos mais turbulentos da gestão do empresário norte-americano no Botafogo. Textor enfrenta críticas da torcida, resistência interna após contrair um empréstimo para quitar o transfer ban e perdeu recentemente um de seus principais aliados na administração, Thairo Arruda, que deixou o clube.
Dentro de campo, o cenário da partida também refletiu a instabilidade. O gol marcado por Matheus Martins no jogo de ida, em Guayaquil, havia mantido o Botafogo vivo na disputa. No entanto, a falha de Léo Linck logo aos sete minutos da partida no Rio de Janeiro complicou o confronto.
A partir daí, o time demonstrou ansiedade e pouca organização ofensiva. Anselmi iniciou a partida com Léo Linck; Vitinho, Ponte, Bastos, Alexander Barboza, Alex Telles; Newton, Montoro, Barrera e Matheus Martins.
Ainda no primeiro tempo, aos 33 minutos, Ponte deixou o campo para a entrada de Joaquín Correa. Na etapa final, o treinador promoveu outra mudança ofensiva com a entrada de Arthur Cabral no lugar de Bastos.
O Botafogo teve maior posse de bola e criou algumas oportunidades, como a cobrança de falta de Alex Telles defendida pelo goleiro Contreras logo no início do segundo tempo e uma cabeçada perigosa de Arthur Cabral. Ainda assim, faltou criatividade para transformar as tentativas em gols.
A equipe abusou de cruzamentos na área e mostrou pouca variação ofensiva. O meia Montoro teve atuação apagada e deixou o gramado sob vaias ao ser substituído.
Eliminado da Libertadores ainda na fase preliminar, o Botafogo agora volta suas atenções para o restante da temporada, em que disputará o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana, competições que passam a ganhar peso diante do revés continental.
Fonte: Agora RN