As melhores rádios: FM 102.7 FM 95.9 FM 90.9 AM 1470

Sistema Rural de Comunicação

Rádios
do Grupo

Natal vai na contramão do País e tem a menor inadimplência em 11 anos

As famílias de Natal estão conseguindo colocar as contas em dia em um ritmo que não era observado há mais de uma década. A inadimplência na capital potiguar recuou para o menor patamar registrado para o mês de maio desde o início da série histórica recente, em 2015, refletindo uma combinação de aumento da renda, mercado de trabalho mais aquecido e uma postura mais cautelosa diante do elevado custo do crédito.

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisada pelo Instituto Fecomércio RN (IFC), mostram que apenas 22,7% das famílias natalenses tinham contas em atraso em maio deste ano. O índice representa uma queda de 16,2 pontos percentuais em relação ao mesmo mês de 2025, quando a inadimplência alcançava 38,9%.

Na comparação com abril deste ano, a redução foi de 1,8 ponto percentual, reforçando uma tendência de melhora que vem sendo observada ao longo dos últimos meses.

O resultado ganha relevância porque ocorre em um ambiente de juros elevados, que tem levado consumidores a rever prioridades financeiras. Em vez de ampliar o consumo, parte das famílias tem direcionado recursos extras para a quitação de débitos e reorganização do orçamento doméstico.

Para o economista do Instituto Fecomércio RN, Wilson Figueiredo, a redução da inadimplência está diretamente ligada à melhora das condições de renda e emprego observadas no Estado.

“Isso é renda crescendo. As pessoas com emprego, renda. E aí está sobrando um dinheirinho extra e as pessoas estão colocando suas contas em dia. Os juros estão muito altos. Então, é melhor colocar a conta em dia do que pagar juros”, afirma.

William Figueiredo
Wilson Figueiredo diz que famílias potiguares estão dando uma lição para o Brasil – Foto: Arquivo / Fecomércio RN

O movimento revela uma mudança de comportamento do consumidor diante do cenário econômico. Segundo o economista, ao optar por reduzir dívidas em atraso, as famílias estão abrindo mão de parte do consumo presente para recuperar capacidade financeira no futuro.

“Se a pessoa está colocando a conta em dia em vez de consumir, ela está sendo mais austera em relação ao consumo. Mas ela ajusta suas contas hoje para consumir no futuro, quando os juros estiverem mais baixos e a renda estiver mais equilibrada”, explica.

A pesquisa revela que, apesar da forte queda da inadimplência, o endividamento permanece elevado. Atualmente, 83,2% das famílias de Natal possuem algum tipo de dívida, o equivalente a 235.368 lares.

A diferença entre os dois indicadores é um dos pontos que exigem maior atenção na interpretação dos números. Estar endividado não significa necessariamente enfrentar dificuldades financeiras.

“Endividado é quem tem dívida. Todos nós somos endividados. Se você usou o cartão de crédito para abastecer o carro ou fazer uma compra, você tomou crédito e vai pagar depois. Outra coisa é ser inadimplente, que é quando existe uma dívida em atraso”, esclarece Wilson Figueiredo.

Dos mais de 235 mil lares endividados, cerca de 64.368 famílias apresentavam contas em atraso em maio. A maior parte dessas pendências possuía prazo inferior a 90 dias.

A pesquisa também mostra que 32,5% das famílias endividadas comprometem parcela moderada ou elevada da renda com obrigações financeiras, percentual que continua exigindo atenção de economistas e instituições de crédito.

Queda contraria tendência nacional

A melhora observada em Natal ocorre em sentido oposto ao comportamento registrado em parte do País. Segundo Wilson Figueiredo, o cenário local apresenta características próprias que ajudam a explicar o desempenho mais favorável.

“É uma queda acentuada, ao contrário até do que se observa no Brasil, onde se verifica aumento do endividamento. Então é uma conjuntura local favorável a essa redução”, afirma.

O levantamento aponta ainda que o cartão de crédito continua sendo o principal instrumento de endividamento dos consumidores natalenses, presente em 83,5% dos casos registrados. Os carnês aparecem na sequência, com participação de 17,2%.

Embora o uso do crédito continue elevado, a pesquisa sugere que os consumidores têm conseguido administrar melhor suas obrigações financeiras, reduzindo atrasos sem necessariamente abandonar o acesso ao crédito.

Perspectiva segue positiva

A avaliação do Instituto Fecomércio RN é de que o cenário permanece favorável para novas reduções da inadimplência ao longo dos próximos meses. A continuidade da geração de empregos e a manutenção dos juros em níveis elevados tendem a incentivar o comportamento mais conservador das famílias.

“O cenário é bastante otimista. A gente vê essa queda acontecendo ao longo dos últimos 12 meses. Acreditamos que as pessoas vão continuar nesse ritmo uma vez que os juros continuam em patamares muito elevados. Ou seja, o custo da dívida é muito alto”, afirma Wilson Figueiredo.

Para a Fecomércio RN, a melhora dos indicadores tende a produzir efeitos positivos sobre a economia local. Famílias com menor volume de contas em atraso recuperam acesso ao crédito, ampliam a capacidade de consumo futuro e fortalecem a circulação de renda no comércio e nos serviços.

Os números de maio sugerem que o consumidor natalense está adotando uma estratégia financeira mais prudente. Em um ambiente marcado por juros elevados, a prioridade deixou de ser o consumo imediato e passou a ser a reorganização das finanças. O resultado é um marco histórico: a menor inadimplência para o mês de maio em 11 anos e um sinal de que parte das famílias potiguares está conseguindo recuperar o equilíbrio financeiro após anos de pressão sobre o orçamento.

 

 

 

 

Fonte: Agora RN

Compartilhe nas rede sociais

Mais notícias

STF decide se Eduardo Bolsonaro será condenado no processo do tarifaço

Veja os jogos de terça na Copa do Mundo; Argentina e França estreiam

Preços do petróleo despencam, e Bolsas globais sobem após acordo entre Irã e EUA

Inflação de maio fica em 0,58%, influenciada por preço dos alimentos

Neymar segue fora dos treinos com bola e mira retorno na segunda rodada da Copa

Olá, como podemos te ajudar?