A atriz Isabel Teixeira, de 52 anos, adotou medidas preventivas após descobrir que possui uma alteração genética associada ao aumento do risco de desenvolver câncer ao longo da vida. Entre as decisões tomadas após o diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni está a retirada das mamas, mesmo sem apresentar a doença.
A atriz falou sobre o assunto no último domingo (18), durante participação no programa Fantástico, da TV Globo. Segundo ela, a investigação genética foi motivada pelo histórico familiar de câncer. Sua mãe morreu em decorrência da doença em 2006, e sua avó morreu um ano antes, também vítima de câncer.
Ao receber o resultado do exame, Isabel relatou ter ficado abalada. “Num primeiro momento, eu fiquei sem chão”, afirmou. Após descobrir a predisposição genética, a atriz também mudou hábitos de vida. Ela deixou de fumar e de consumir bebidas alcoólicas, além de incorporar a prática regular de atividades físicas à rotina.
Outra preocupação foi a possibilidade de transmitir a alteração genética aos filhos. De acordo com o relato da atriz, o resultado dos exames mostrou que apenas a filha herdou a variante. “Também é outro choque”, disse.
Ao falar sobre a possibilidade de desenvolver câncer, Isabel afirmou que o medo não a impede de adotar medidas preventivas. “Talvez eu tenha câncer. Esse é um medo que não me paralisa, porque eu acredito que a prevenção também é cura”, declarou.
O que é a síndrome de Li-Fraumeni?
A síndrome de Li-Fraumeni é uma condição genética hereditária rara que aumenta a predisposição ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. Ela está geralmente associada a alterações no gene TP53, responsável por produzir uma proteína que ajuda a controlar a divisão celular e a evitar a multiplicação de células com danos no DNA.
A síndrome não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer, mas está associada a um risco elevado de tumores ao longo da vida. Alguns deles podem surgir ainda na infância ou na juventude.
Entre os cânceres relacionados à condição estão os de mama, os sarcomas, os tumores cerebrais, as leucemias e os tumores do córtex da glândula adrenal.
Por que a retirada das mamas pode ser indicada?
Em pessoas com síndrome de Li-Fraumeni, a mastectomia redutora de risco pode ser considerada como estratégia para diminuir a possibilidade de desenvolver câncer de mama. A indicação depende da avaliação individualizada do risco, do histórico familiar e da discussão entre paciente e equipe médica.
A cirurgia reduz significativamente o risco, mas não o elimina por completo. A decisão deve considerar os benefícios, os possíveis impactos e as alternativas de acompanhamento.
A síndrome de Li-Fraumeni apresenta, em geral, padrão de herança autossômica dominante. Isso significa que uma pessoa que possui uma variante patogênica hereditária no gene TP53 tem 50% de probabilidade de transmiti-la a cada filho.
Por esse motivo, o aconselhamento genético pode ser recomendado para pessoas diagnosticadas e seus familiares. O acompanhamento especializado permite avaliar as opções de vigilância e prevenção, de acordo com o perfil de cada indivíduo.
Fonte: Tribuna do Norte
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