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ONG lança gibi para incentivar que crianças virem protetoras de animais

Criada há pouco mais de três anos no Rio Grande do Norte, a União Pet Brasil quer transformar crianças e adolescentes em novos protetores dos direitos dos animais. No fim de mês, a ONG vai lançar um gibi educativo que busca conscientizar o público mirim e formar, desde cedo, uma cultura de proteção e respeito aos animais.

A União Pet Brasil surgiu em 2022, durante a pandemia de Covid-19. Com pessoas confinadas em casa e um crescimento na compra de animais em pet shops, abrigos e protetores independentes passaram a enfrentar superlotação e falta de recursos. Segundo a fundadora Mauricéia Cavalcante, a ONG foi uma resposta direta a esse cenário.

De acordo com a presidente, que tem 18 anos de atuação na causa animal, a proposta central da União Pet Brasil sempre foi funcionar como um elo entre os protetores, as organizações da sociedade civil e o poder público. “Eu sempre fui elo de comunicação entre o poder público, de quem é de fato a responsabilidade maior dessa causa, e os animais e quem cuida deles”, afirmou, em entrevista à TV AGORA RN nesta segunda-feira 12.

Esse conceito, segundo ela, explica inclusive o nome da entidade. “Por isso tem esse nome União Pet Brasil. A gente surgiu para unir o poder público, as políticas públicas e quem precisa delas”.

Um dos anúncios mais destacados da entrevista foi o lançamento de um projeto voltado à educação infantil. A ONG aposta na formação de uma nova geração mais consciente sobre os direitos dos animais. “Nós acreditamos que a criança e o adolescente precisam ser educados, precisam entender o que é maltrato, o que é crime, de que forma, dentro da idade dele, ele pode ajudar um animal”, explicou. A iniciativa se materializa no projeto Histórias que Protegem, um gibi com 20 páginas que aborda, de forma lúdica, situações de maus-tratos. “É um gibi infantil, com 20 páginas, com história lúdica, contando uma história de maltrato de um cachorro da vizinha, que vive amarrado 12 horas por dia”, descreveu.

O lançamento do material está previsto para ocorrer em São Miguel do Gostoso, no dia 24 de janeiro, com uma ação simbólica envolvendo crianças da rede pública. “Nós escolhemos um destino turístico”, explicou Mauricéia, citando o aumento da circulação de pessoas e animais durante o verão. Segundo ela, 100 crianças, com idades entre 6 e 12 anos, serão “chanceladas” como super-heróis da União Pet Brasil. “Eles vão receber capa de super-herói, máscara de super-herói e o gibi”, afirmou, acrescentando que a proposta é despertar senso de responsabilidade e empatia.

A entrevista também abordou críticas ao comércio e à compra de animais por raça. Mauricéia foi enfática ao se posicionar contra essa prática. “Animal não é grife, não é cinto, não é perfume, não é bolsa”, afirmou. Segundo ela, a venda fomenta criadouros irregulares e situações de maus-tratos. “O problema é a venda, é o comércio”, disse, defendendo que, antes de comprar, as pessoas procurem ONGs e optem pela adoção responsável.

Castração é a solução, afirma presidente da ONG

Mesmo com apenas três anos de existência, a ONG já apresenta números expressivos. Atualmente, conta com mais de 200 voluntários cadastrados e levou ações a pelo menos cinco municípios do Rio Grande do Norte. Um dos principais focos é o controle populacional por meio da castração.

“Realizamos mais de 3 mil castrações no ano em que a ONG fez três anos de vida”, disse Mauricéia. As atividades são realizadas de forma itinerante, com o uso de unidades móveis de saúde, conhecidas como castramóveis. “O nosso trabalho é todo na rua. Por isso nós não temos sede”, explicou.

A opção por não manter uma sede física, segundo a dirigente, também é estratégica. Ela afirmou que ONGs com abrigos acabam se tornando alvo de abandono indiscriminado de animais. “A sociedade acha que, pelo fato de ser um abrigo, ser uma ONG, nós temos a obrigação de cuidar dos animais do mundo todo. E eles chegam a jogar animais à noite, deixam na porta de madrugada”, relatou. Para Mauricéia, esse ciclo torna o trabalho “um grande problema” e um “enxugar gelo praticamente todos os dias”.

Ao abordar a questão das políticas públicas, a presidente da União Pet Brasil lembrou que, no início de sua militância, nos anos 2000, quase não havia diálogo com o poder público sobre o tema. “Eu lembro que quando eu comecei, por volta do ano de 2000, 2002, nós não sabíamos nem por onde começar nessa conversa com o poder público”, afirmou. Um marco citado por ela foi a tentativa de viabilizar emendas parlamentares para castração a partir de 2014, quando o tema ainda tinha pouca visibilidade institucional.

Mauricéia destacou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) para dimensionar o problema do abandono e da superpopulação animal. “A OMS, juntamente com o governo federal, confirma e comprova que o Brasil hoje tem mais de 30 milhões de animais vivendo em situação de rua”, disse. Segundo ela, a reprodução descontrolada agrava o cenário. “Uma gata não castrada gera, em média, 70 mil filhotes ao longo de sua vida, que são 15 anos”.

O número de 70 mil filhotes é uma referência a cálculos teóricos sobre a prole potencial de um único casal de gatos e seus descendentes se todos sobrevivessem e se reproduzissem descontroladamente ao longo de muitos anos. Não é um número que uma única gata possa ter fisicamente.

Para a presidente da União Pet Brasil, a castração é a principal ferramenta para enfrentar esse quadro. “O controle populacional é uma coisa muito séria”, afirmou. Ela reconheceu avanços recentes, especialmente com a criação de programas federais voltados ao financiamento desse tipo de ação. “O primeiro valor, se eu não me engano, que o governo federal colocou foi 6 milhões de reais, na época. O ano passado, esse valor já subiu para 82 milhões de reais”, relatou. Ainda assim, considerou o montante insuficiente. “Isso está chegando no Brasil, nas prefeituras, através das ONGs, nos municípios, mas ainda é muito pouco”.

No Rio Grande do Norte, a ONG realizou castrações em cidades como Natal, Parnamirim, Goianinha e Tibau do Sul. Em todos os casos, segundo Mauricéia, a demanda superou a oferta. “Todos esses municípios que nós fizemos castrações, nós saímos de lá com a lista gigante de espera”, afirmou. Ela ressaltou que o trabalho só é possível graças à organização dos protetores independentes. “Não existe animal de rua, existe animal em situação de rua”, disse, acrescentando que grupos de protetoras conhecem exatamente onde estão as colônias de animais e levam os cães e gatos para os procedimentos.

Outro ponto abordado na entrevista foi a relação entre a causa animal e a saúde pública. Mauricéia lembrou que doenças transmitidas por animais impactam diretamente a população humana. “Esse ano de 2025, o RN registrou mais de 4 mil casos de leptospirose”, afirmou. Para ela, o cuidado com os animais precisa ser encarado como política pública estruturante. “Veja que isso é, de fato, uma política pública, isso é um cuidado que precisa ser tido pelo poder público”, defendeu.

Além das castrações, a União Pet Brasil também promove ações de bem-estar animal, como o Giro Pet RN. Nessas iniciativas, veterinários realizam atendimentos básicos, vacinação, vermifugação e aplicação de medicamentos antiparasitários em comunidades. Segundo Mauricéia, a receptividade da população costuma ser grande. “Quem critica o nosso trabalho, quando o serviço chega gratuito, a gente fica lotado”, relatou.

 

Fonte: Agora RN

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