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RN teve 45 casos de linfoma não Hodgkin

Até este mês de outubro, o Rio Grande do Norte registrou 45 casos de linfoma não Hodgkin (LNH) neste ano, de acordo com dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), com base nas informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que estima uma ocorrência bem superior – de 200 casos no estado em todo o ano de 2026. Foi a evolução da doença que levou o cantor Netinho, de 60 anos, à morte na última terça-feira (13), por falência renal e disfunção múltipla de órgãos. O LNH se desenvolve nas células do sistema linfático, parte do sistema imunológico responsável por ajudar o organismo a combater doenças.

O médico hematologista Antônio Henrique Resende explica que há diversos tipos de linfoma não Hodgkin, sendo o tipo B, que matou o artista, o mais comum. “Os linfomas são neoplasias (cânceres) onco-hematológicas classificadas a partir das células das quais se originam. Assim, temos os linfomas B, T e NK. O tipo B representa aproximadamente 30% dos casos mundiais”, explica o hematologista, que atua na Policlínica da Liga Norteriograndense Contra o Câncer, em Natal.

O médico orienta que sinais como a presença de ínguas, especialmente na região do pescoço, são um alerta para uma investigação mais aprofundada com vistas ao diagnóstico da doença. “As linfonodomegalias (ínguas) são muito comuns na parte cervical, mas podem aparecer também nas regiões inguinal (próximo à virilha) e das axilas. Elas estão presentes em 2/3 dos pacientes com diagnóstico de linfoma. Mas existem outras manifestações que podem indicar para a doença. Uma delas é a perda imotivada de peso, febre inexplicada e persistente, geralmente no final da tarde e noturna, associada às vezes à sudorese durante a noite e a madrugada”, descreve o especialista.

O prurido (coceira) também pode aparecer como queixa. Pode haver, ainda, segundo o hematologista, manifestações inespecíficas, como presença de tosse, atribuída comumente a condições infecciosas. “É preciso lembrar que esses linfonodos ocorrem também em regiões internas, onde o paciente não consegue ver e onde não é possível apalpar durante um exame físico, então, um aumento abdominal pode indicar a presença da doença”, alerta Antônio Henrique Resende.

O diagnóstico começa com uma avaliação física. Identificado algum linfonodo, o paciente deve ser encaminhado a um hematologista. “É esse profissional que faz o diagnóstico, que ocorre apenas por meio de biópsia”, diz o médico. De acordo com ele, idosos são mais afetados pela doença, que é discretamente mais prevalente em homens. “A incidência é semelhante entre ambos os sexos, embora levemente mais comum nos homens”, afirma Antônio Henrique Resende. O tratamento é iniciado após a identificação do local onde a doença está localizada.

“Esse tratamento depende do tipo de linfoma, mas pode envolver quimioterapia, imunoterapia e radioterapia”, conta o hematologista, ao afirmar que a maioria dos linfomas graves tem cura. Um dos grandes desafios para o enfrentamento à doença é o diagnóstico precoce, problema decorrente especialmente da falta de informação sobre o tema, na avaliação de Antônio Henrique.

“A ausência de conhecimento faz com que o paciente demore a ter acesso à biópsia e talvez esse seja o maior gargalo hoje”, diz. Para acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Rio Grande do Norte conta com quatro Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) em Natal – Hospital do Coração, Hospital Rio Grande, Liga e Hospital Onofre Lopes –, além de unidades em Mossoró. “A Liga, dentre essas Unacons, é a que possui maior expertise, responsável pelo atendimento de 70% dos pacientes oncológicos do SUS, que chegam por meio de encaminhamento externo”, afirma Antônio Henrique Resende.

FONTE TRIBUNA DO NORTE

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