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Tentativas de Trump de interferir em outros países em defesa de aliados fracassam no exterior

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem usado sua influência política para intervir em processos judiciais de aliados ideológicos em diferentes países. No Brasil, o republicano pressiona pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alvo de ações na Justiça.

A estratégia, que analistas chamam de “diplomacia do espelho”, também tem sido aplicada em outros casos. Trump já saiu em defesa do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, da líder da ultradireita francesa, Marine Le Pen, e do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe — todos enfrentando acusações judiciais. Para ele, esses políticos vivem uma “caça às bruxas”, termo que também utiliza para questionar as próprias condenações.

Em julho, ao anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, Trump classificou os julgamentos de Bolsonaro como “um ataque político”. O americano também chegou a sugerir cortar a ajuda militar a Israel em protesto contra o processo de Netanyahu, que responde a acusações de suborno e fraude. Em abril, chamou de perseguição a condenação de Le Pen por desvio de recursos da União Europeia. Já no caso de Uribe, coube ao secretário de Estado, Marco Rubio, criticar a Justiça colombiana após a condenação do ex-presidente.

Apesar da retórica, as pressões de Trump não têm mudado os rumos das decisões judiciais. Netanyahu seguirá sendo julgado, Le Pen está impedida de disputar eleições em 2027 e Uribe ainda enfrenta recursos na Justiça colombiana.

Na seara eleitoral, os resultados também são mistos. O conservador Karol Nawrocki venceu na Polônia com apoio de Trump, mas candidatos alinhados ao trumpismo foram derrotados no Canadá, Austrália e Romênia.

Segundo o governo brasileiro, a ofensiva americana faz parte de uma estratégia para fortalecer um nome alinhado ao trumpismo nas eleições presidenciais de 2026. A avaliação no Planalto é que, caso o candidato apoiado por Trump seja derrotado, a Casa Branca pode tentar deslegitimar o resultado das urnas, repetindo o roteiro já visto nos EUA em 2020 e no Brasil em 2022.

 

Fonte: Agora RN

 

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