A meta da gestão Paulinho Freire (União) para a educação municipal de Natal é robusta: ampliar a rede de ensino com cerca de 30 novas unidades, entre escolas e centros de educação infantil (CMEIs), até o fim da gestão. O objetivo é fortalecer a estrutura, reduzir gargalos históricos e garantir que o avanço na oferta de vagas acompanhe o crescimento populacional da capital potiguar.
Segundo o secretário de Educação, Aldo Fernandes, a rede conta hoje com 147 unidades — número que deverá chegar a 177 até o fim de 2028. O crescimento, diz ele, é fundamental diante da demanda reprimida. Ele citou que João Pessoa (PB), com população semelhante à de Natal, tem 240 unidades de ensino. “A gente está crescendo, a nossa sociedade também, e a demanda aumenta”, explicou Aldo, em entrevista à TV Agora RN (YouTube).
A ampliação, de acordo com o secretário, inclui obras retomadas em parceria com o Governo Federal, que estavam paralisadas, e novas construções. São sete unidades em fase de assinatura de ordem de serviço — resultado da repactuação de projetos parados — e mais três previstas: dois centros de educação infantil e uma escola. “Vão ser nove CMEIs e uma escola. Ou seja, a prioridade é pré-infância e creche”, detalhou o secretário.
Matrículas 2026 começam pelos alunos com deficiência
Durante a entrevista, Aldo anunciou que o calendário de matrículas para o ano letivo de 2026 já está em andamento, começando pelos estudantes com deficiência, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e altas habilidades. “Antecipamos o início da matrícula para os alunos com deficiência, espectro autista e altas habilidades”, disse. As inscrições vão de 17 a 30 de novembro, por meio do site oficial da Secretaria (matricula.natal.rn.gov.br).
O procedimento permite aos pais escolher três unidades escolares. A seleção não é sorteio, frisou o secretário, mas um processo de distribuição equilibrada. “Não é sorteio, nem é, tão pouco, oferta de vagas. Nós queremos exatamente essas três unidades, para que a gente possa ali, de forma equânime, recepcionar esses alunos”, explicou.
Para as famílias sem acesso à internet, as unidades de ensino estão orientadas a prestar apoio presencial. “O pai ou responsável, não tendo essa relação íntima com a internet, não tem nenhum problema, ele vai à escola mais perto de sua casa”, afirmou.
A gestão está utilizando inclusive inteligência artificial — a assistente Estela (WhatsApp 84 3232-4900) — para facilitar e agilizar o processo.
O secretário afirmou que 2025 foi um ano dedicado à reorganização interna, em especial para fortalecer o atendimento aos estudantes da educação especial. Hoje, cerca de 4.300 alunos com deficiência estão matriculados na rede municipal. A projeção é de crescimento contínuo. “Esse número, ele vem constantemente aumentando, alterando para mais”, comentou.
Rede passa por reorganização e prioriza educação especial
A rede está adotando um modelo de tipologias para identificar quais escolas têm maior capacidade de receber alunos com necessidades específicas. “Tipologia 1, tipologia 2, tipologia 3 das nossas unidades. Uma escola com mais condição, ela vai receber mais alunos”, explicou.
A formação continuada também foi intensificada. “Estamos nesse caminho aqui, formando, conscientizando, aparelhando, aumentando, ampliando, profissionais de apoio”, disse. O secretário destacou ainda que o último concurso priorizou o atendimento educacional especializado (AEE). “A nossa prioridade foi chamar os 60 do AEE. E nós já chamamos”, afirmou.
Ele ressaltou que o trabalho envolve toda a equipe escolar, incluindo condutores de transporte. “Desde o condutor, que a gente não chama mais motorista, são nossos condutores, porque ali ele vivencia a vida da criança”, disse.
Fim do sorteio de vagas na educação infantil
Um dos marcos celebrados pela gestão em 2025 foi o fim do sorteio de vagas em creches e pré-escolas — mecanismo que vigorava havia mais de uma década em Natal. O secretário garantiu que a medida será mantida em 2026.
“Seguiremos na mesma linha de raciocínio, através de três prismas”, explicou. São eles: ampliação das vagas na rede própria, por meio de reformas, readequações e ampliações; aquisição de vagas na rede privada, por meio do Projeto Pré-Escola para Todos (PPEPT); e construção de novas unidades, como previsto na retomada e início das obras mencionadas.
Ele observou que nenhuma capital brasileira consegue atender toda a demanda da educação infantil apenas com unidades públicas. “Não tem como você não lançar mão daquela parceria com o setor privado”, justificou.
Resultados do Saeb e do C++ Alfa impulsionam otimismo
Aldo exaltou os avanços nos primeiros resultados educacionais sob a nova gestão. Ele lembrou que Natal herdou o pior Ideb entre as capitais brasileiras, mas afirmou que as ações de 2025 já começam a dar retorno.
No Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a rede superou a meta de participação. “Atingimos 82,93%. Quer dizer, Natal já partiu, ou seja, já cumpre a nossa meta e já tem ali 2,93 pontos percentuais acima da meta”, afirmou.
Outro dado comemorado foi o desempenho no C++ Alfa, prova aplicada aos alunos do 2º ano. “A meta seria 70%, Natal sempre estava ali em 65% a 68%. Atingimos agora quase 83%”, disse o secretário.
Ele atribuiu os resultados ao esforço conjunto de toda a rede. “São os professores que estão no chão da escola. São os diretores, são os assessores e eles são partícipes principalmente nessa reconstrução”, declarou.
Polêmica sobre lei que premia escolas pelo Ideb
A entrevista também tratou da repercussão da Lei nº 7.997, que criou a “Comenda Municipal de Excelência Educacional”. O texto prevê premiação para escolas com melhor Ideb — incluindo creches e unidades de educação infantil, que não participam desta avaliação.
Aldo afirmou que o projeto veio da Câmara, a partir de projeto do vereador Daniell Rendall (Republicanos) e que a Secretaria de Educação já havia apontado inconsistências antes da sanção, mas o parecer não chegou a tempo. “Ela foi publicada sem antes ter recebido a nossa manifestação”, explicou.
Segundo ele, todas as críticas feitas após a publicação já constavam do parecer técnico da pasta. “Essas observações, nós já tínhamos conversado internamente na Secretaria de Governo, que fosse alterada, suprimida, ou vetada parcialmente”, afirmou. O secretário disse que a prefeitura trabalha para corrigir o problema. “Estamos tratando diretamente com a SMG para solucionar esse equívoco”, declarou.
Aldo também reconheceu o desconforto causado. “O que me espantou foi exatamente as críticas, onde eu recebi com surpresa”, disse.
Fonte: Agora RN