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Neymar anuncia aposentadoria da Seleção Brasileira: “Agora não quero mais”

A proposta da Fifa de criar uma empresa para concentrar a exploração comercial de suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes, desencadeou uma das maiores crises institucionais do futebol internacional nos últimos anos. Horas após o anúncio oficial da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), dirigentes europeus passaram a discutir um possível boicote à Copa do Mundo de 2030, que será sediada principalmente por Portugal e Espanha.

Segundo a emissora britânica Sky Sports, as federações vinculadas à União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) programaram uma reunião virtual para definir uma estratégia conjunta destinada a impedir o avanço da proposta, considerada uma ameaça ao modelo de governança do esporte.

Neymar confirmou que não voltará a defender a Seleção Brasileira. A decisão foi anunciada na noite de terça-feira (28), após a vitória do Santos sobre a Universidad Central, da Venezuela, pela Copa Sul-Americana. Na zona mista da Vila Belmiro, o atacante afirmou que encerrou seu ciclo com a equipe nacional depois da eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026.

“Meu momento na Seleção já foi. Fiz história, fui muito feliz, dei meu sangue, minha vida, sempre briguei e lutei pela Amarelinha, mas agora não quero mais”, declarou.

O centro da controvérsia é a criação da FFE, subsidiária integral da Fifa responsável por administrar direitos comerciais, contratos de transmissão, patrocínios, licenciamento, venda de ingressos e a operação das principais competições organizadas pela entidade. A Fifa estima que a nova companhia tenha valor de mercado de aproximadamente US$ 20 bilhões e pretende vender até US$ 4,2 bilhões em participações minoritárias a investidores privados, preservando o controle acionário e as decisões esportivas.

Segundo a entidade, os recursos obtidos seriam destinados à expansão dos programas de desenvolvimento do futebol em todo o mundo e ao aumento dos repasses financeiros às 211 associações nacionais filiadas. Pela proposta apresentada, os repasses anuais às federações nacionais poderiam mais que dobrar ao longo dos próximos ciclos da Copa do Mundo.

Atualmente, cada associação recebe cerca de R$ 4 milhões por ciclo por meio do programa Fifa Forward. Caso a operação seja aprovada, esse valor poderá alcançar aproximadamente R$ 102 milhões até a Copa de 2030, subir para R$ 112,5 milhões no ciclo seguinte, até 2034, e atingir R$ 123 milhões até 2038. A entidade argumenta que a entrada de capital privado permitirá ampliar o potencial de monetização dos direitos comerciais sem alterar o controle institucional da organização.

A reação da Uefa foi imediata e em tom incomum. Em comunicado oficial, a entidade afirmou que a iniciativa ultrapassa um limite institucional que jamais deveria ser cruzado pelas organizações responsáveis pela administração do futebol mundial. “A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”, declarou a entidade europeia, que também conclamou ligas nacionais, clubes, jogadores, torcedores e governos a se posicionarem contra o projeto.

Embora a Fifa sustente que os investidores terão apenas participação minoritária e sem qualquer influência sobre decisões esportivas, regulatórias ou sobre o calendário internacional, dirigentes europeus demonstram preocupação com a possibilidade de que interesses financeiros passem a exercer influência crescente sobre o principal ativo comercial do futebol mundial. A entidade presidida por Gianni Infantino afirma que continuará detendo integralmente a governança das competições, mas a falta de detalhes sobre a estrutura societária, os futuros investidores e os critérios de governança da FFE alimentou críticas quanto à transparência do processo.

A proposta também reabre um debate antigo sobre a crescente comercialização do futebol internacional. Em 2018, a Fifa tentou estruturar um fundo de investimentos de aproximadamente US$ 25 bilhões para financiar competições globais, iniciativa que enfrentou resistência semelhante e acabou não prosperando. Desta vez, a entidade argumenta que o cenário financeiro é diferente após a elevação expressiva das receitas obtidas com a Copa do Mundo e a ampliação de seu portfólio de torneios, incluindo a Copa do Mundo de Clubes em novo formato.

Além da oposição institucional da Uefa, o projeto passou a enfrentar questionamentos de dirigentes políticos, economistas do esporte e representantes de torcedores na Europa, que veem risco de transformação da Copa do Mundo em um ativo financeiro voltado prioritariamente ao retorno de investidores privados. A discussão ganhou dimensão ainda maior porque a Copa de 2030 terá como principais anfitriões dois países europeus — Espanha e Portugal —, o que tornaria um eventual boicote particularmente sensível tanto do ponto de vista esportivo quanto comercial.

A Fifa, por sua vez, afirma que a proposta ainda será submetida às suas instâncias deliberativas. Segundo a entidade, a criação da Fifa Forward Enterprise dependerá da aprovação do Conselho da Fifa e da maioria das 211 associações nacionais filiadas. A organização também negou especulações de que Gianni Infantino possa assumir futuramente a direção executiva da nova empresa e reiterou que a subsidiária permanecerá subordinada à estrutura institucional da federação.

Embora o debate ainda esteja em estágio inicial, a reação da Uefa sinaliza uma disputa que ultrapassa a criação de uma nova empresa. Em jogo está o modelo de financiamento, governança e distribuição de receitas do futebol internacional, em um momento em que a Fifa busca ampliar sua capacidade de investimento e as federações europeias defendem limites para a participação do capital privado na administração da principal competição esportiva do planeta.

 

Fonte: Agora RN

 

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