Um exame de sangue capaz de identificar sinais associados a mais de 50 tipos de câncer começou a ser oferecido no Brasil. O Galleri utiliza uma única amostra para analisar fragmentos de DNA e procurar alterações relacionadas às células cancerígenas.
O teste é oferecido pelo Einstein Hospital Israelita e pelo Grupo Fleury, por meio da Genesis Genomics, e custa R$ 6.990. Neste momento, está disponível apenas de forma particular e mediante solicitação médica.
Desenvolvido pela empresa norte-americana Grail, o exame procura padrões de metilação no DNA circulante no sangue. Quando identifica um sinal suspeito, a tecnologia também estima o provável local de origem do tumor.
Entre os tipos de câncer que podem apresentar sinais estão os de pâncreas, fígado, ovário, estômago, cabeça e pescoço, além de linfomas e mielomas. A tecnologia chama atenção principalmente para tumores que atualmente não possuem programas de rastreamento de rotina para pessoas sem sintomas.
Inicialmente, o teste poderá ser indicado principalmente para pessoas com mais de 50 anos, após avaliação médica. Também pode ser realizado por alguns pacientes que já tiveram câncer, desde que estejam em remissão completa e sem sinais de atividade da doença há mais de três anos.
O Galleri não é indicado para menores de 22 anos, gestantes, pessoas em tratamento ativo contra o câncer ou pacientes que já estejam investigando um possível tumor.
Exame não substitui mamografia e colonoscopia
Apesar do potencial, o teste não substitui os métodos de rastreamento já recomendados, como mamografia e colonoscopia. Um resultado positivo também não significa, sozinho, que a pessoa tenha câncer. São necessários exames complementares para confirmar ou descartar a doença.
Da mesma forma, um resultado negativo não garante que não exista um tumor ou que a pessoa não desenvolverá câncer posteriormente.
O que mostram os estudos
No estudo PATHFINDER 2, realizado na América do Norte, o Galleri apresentou especificidade de 99,85%. Já a sensibilidade foi de 35% para os casos diagnosticados durante 12 meses. A capacidade de identificação variou conforme o estágio: 21,4% para tumores em estágio I e 63,2% no estágio IV.
Outro estudo, realizado com mais de 142 mil participantes na Inglaterra e publicado em setembro no New England Journal of Medicine, não encontrou redução estatisticamente significativa na incidência conjunta de cânceres nos estágios III e IV após três rodadas de rastreamento. Os pesquisadores afirmam que é necessário acompanhamento por mais tempo.
Ainda não existem evidências conclusivas de que o uso do Galleri reduza a mortalidade por câncer.
Comercializado nos Estados Unidos desde 2021, o exame começa agora a ser disponibilizado no mercado brasileiro. A expectativa é ampliar o acesso por meio de laboratórios parceiros.
A orientação é que o Galleri seja utilizado como ferramenta complementar e que a decisão de realizar o exame seja discutida com um médico.
Fonte: 96FM