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Ansiedade antes do Enem: como o cérebro reage e o que fazer

Às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), estudantes de todas as idades convivem com um mesmo desafio: controlar a ansiedade e manter o foco diante da pressão e do excesso de estímulos. A farmacêutica e empresária Luciana Liberato, da Formule, explicou em entrevista à rádio CBN como o estresse e a privação de sono interferem diretamente no desempenho e quais estratégias naturais podem ajudar o cérebro a reagir melhor nesse período.

Segundo ela, o volume crescente de informações, tarefas e cobranças tem provocado o que chama de “neuroinflamação”, uma inflamação nas células cerebrais que desequilibra os neurotransmissores responsáveis por regular o sono, o humor e a concentração. “O estresse crônico favorece a inflamação das células do cérebro, como os neurônios, e isso desequilibra os neurotransmissores”, explicou. O resultado, diz, é um cérebro sobrecarregado e um corpo que reage com fadiga mental, ansiedade e insônia.

Luciana destacou que, além dos jovens, o problema também atinge adultos e idosos, inclusive os que decidiram retomar os estudos. Ela observa que a privação de sono é um dos fatores mais graves, pois impede a consolidação da memória e o aprendizado. “O sono é o mais importante, porque é quando a gente consolida a memória e gera a aquisição do aprendizado”, afirmou.

Para aliviar esses sintomas sem recorrer a medicamentos controlados, a farmacêutica defende o uso da chamada neurosuplementação, um conjunto de formulações fitoterápicas e vitamínicas que auxiliam na regulação natural do sistema nervoso. Entre os compostos mais utilizados, citou substâncias que atuam sobre os neurotransmissores Gaba, serotonina, dopamina e colina — todos ligados ao equilíbrio emocional, ao foco e à qualidade do sono.

Luciana explicou que as respostas variam conforme o organismo e o tipo de suplementação. Alguns compostos agem de forma rápida, enquanto outros precisam de até dez dias para atingir o nível sanguíneo adequado. “Existem as suplementações de dose de ataque, para aquele momento agudo, que precisa de resposta imediata”, disse. Ela ressaltou, contudo, que mesmo substâncias naturais exigem prescrição e acompanhamento profissional, pois podem interagir com outros medicamentos.

Entre as alternativas fitoterápicas que têm mostrado bons resultados, ela destacou o ansilese, derivado da planta escutelarina, capaz de reduzir a ansiedade sem provocar sonolência. Já para regular o sono, mencionou a melatonina e sua versão vegetal, a herbatonin, extraída da cereja. “Ela não dá efeito rebote e o indivíduo pode utilizar tranquilamente, tantas horas antes de dormir”, observou.

Outro foco da entrevista foi a dificuldade de concentração. Luciana apresentou substâncias consideradas “smart drugs naturais”, como o brainfect, derivado do bicho-da-seda, e o HS-Fox, extraído do talo do aspargo. Elas aumentam a produção de acetilcolina, neurotransmissor responsável pela atenção e pela memória, sem causar dependência. “Essas substâncias são interessantes para adolescentes e adultos, pois ajudam no foco e na concentração sem gerar agitação”, afirmou.

A farmacêutica também chamou atenção para a fadiga física e mental, cada vez mais comum entre estudantes e profissionais. Para esse quadro, recomenda compostos antioxidantes que fortalecem as mitocôndrias, como a coenzima Q10, a quercetina — presente na casca da maçã e na cebola —, o resveratrol, a curcumina e a creatina. “As pessoas já acordam cansadas, não é normal aguentar tantos estímulos. É possível amenizar e melhorar a qualidade de assimilação do cérebro”, explicou.

Luciana observou ainda que o mercado de manipulação farmacêutica tem crescido à medida que médicos e pacientes percebem as vantagens da formulação personalizada, com doses e combinações ajustadas a cada pessoa. Segundo ela, isso evita desperdício, automedicação e efeitos indesejados.

Ao encerrar, fez um alerta que vale tanto para quem vai enfrentar o Enem quanto para quem busca mais qualidade de vida: é preciso olhar o corpo de forma integral. “Cuidem também da saúde intestinal, porque o intestino é o nosso segundo cérebro. Ele tem que estar organizado”, disse. Para a especialista, o equilíbrio mental depende de um conjunto de fatores — alimentação, sono, rotina e acompanhamento profissional — que permitem ao cérebro responder melhor aos desafios.

 

Fonte: Agora RN

 

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