O caso envolvendo o influenciador Renato Cariani inclui o desvio de 12 toneladas de insumos químicos que, segundo a investigação, teriam sido utilizados na produção de cerca de 15 toneladas de crack e cocaína. Nesta quarta-feira (28), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestou a favor da condenação de Cariani e dos réus Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
De acordo com o MPSP, as irregularidades ocorreram entre 2014 e 2020. Nesse período, foram identificadas 59 transações financeiras fraudulentas relacionadas ao esquema, que teriam movimentado quase R$ 2,5 milhões em depósitos em espécie.
As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, apontaram que o grupo utilizava notas fiscais com informações falsas para simular a venda regular de produtos químicos. As operações eram registradas em nome de grandes empresas que, segundo a acusação, não tinham conhecimento das compras.
Para dar aparência de legalidade às transações, intermediários realizavam depósitos em dinheiro vivo, como se fossem funcionários das empresas indicadas nas notas fiscais. Os produtos, porém, eram retirados por terceiros na sede do fornecedor e encaminhados ao narcotráfico, conforme a investigação.
Entre as substâncias químicas citadas no processo estão fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila. Segundo a acusação, esses produtos eram usados na preparação, no refino e na mistura de cocaína e crack.
Qual seria a participação de Cariani
Segundo o Ministério Público, Renato Cariani teria utilizado sua posição à frente de uma empresa autorizada a comercializar insumos químicos para viabilizar parte das operações. A acusação afirma que ele teria inserido informações falsas no sistema de controle e fiscalização de produtos químicos da Polícia Federal (PF), com o objetivo de ocultar irregularidades.
Fábio Spinola Mota teria utilizado um endereço de e-mail falso para se passar por uma empresa dos setores farmacêutico e de biotecnologia e, assim, viabilizar a compra dos produtos químicos. Rodrigo Gomes Pereira também é apontado como responsável pela aquisição dos insumos.
A investigação sustenta que as compras eram registradas formalmente em nome de empresas que não haviam solicitado os produtos, enquanto os insumos eram destinados a terceiros ligados ao narcotráfico.
Em nota, a defesa de Renato Cariani afirmou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público, por considerar que o órgão apenas reiterou a posição sustentada ao longo do processo.
Os advogados disseram que apresentariam, nas alegações finais defensivas, argumentos para contestar as acusações com base nas provas produzidas durante a instrução processual. A defesa declarou ainda confiar em um julgamento imparcial e afirmou ter convicção de que o influenciador será absolvido.
As informações sobre o funcionamento do esquema e a participação atribuída aos réus têm como base a acusação do Ministério Público. A responsabilidade criminal de cada um deve ser considerada conforme as decisões judiciais proferidas no caso.
FONTE TRIBUNA DO NORTE
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