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Despesa sobe três vezes mais que receita e RN tem 2º maior desequilíbrio do País

O RN investiu R$ 402,8 milhões no primeiro quadrimestre de 2026, que é ano eleitoral. Os dados chamam a atenção devido à situação fiscal do Estado, que encerrou 2025 com um déficit de R$ 3 bilhões, conforme dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Fernando Azevêdo
Repórter

O Rio Grande do Norte apresentou um descompasso de 12,4 pontos percentuais entre o crescimento de receitas (+5,3%) e o aumento de despesas acima da inflação (+17,7%) entre janeiro e abril deste ano, em comparação ao mesmo período de 2025. O desequilíbrio foi o segundo maior do País, atrás do Maranhão (+21,4% de despesa e +8,9% de receita, diferença de 12,5 pontos percentuais). As informações são da XP Investimentos e foram divulgadas pelo jornal O Globo.

Além disso, o RN teve o maior aumento percentual de investimentos no quadrimestre, de acordo com pesquisa da Aequus Consultoria, compilada pelo jornal Valor Econômico. Os investimentos, em gastos liquidados, cresceram 575,5% no Estado, enquanto a média nacional foi de 35%.

O RN investiu R$ 402,8 milhões no primeiro quadrimestre de 2026, que é ano eleitoral. Os dados chamam a atenção devido à situação fiscal do Estado, que encerrou 2025 com um déficit de R$ 3 bilhões, conforme dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Em nível nacional, a projeção é de que os estados brasileiros enfrentarão um déficit fiscal de R$ 6 bilhões em 2026, contrariando o superávit de R$ 6,6 bilhões em 2025. A deterioração das contas públicas dos estados, impulsionada por um aumento de despesas acima da inflação e arrecadação, é agravada em ano eleitoral. As receitas cresceram 3,3% no País, enquanto as despesas subiram 6,5% no quadrimestre.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz-RN) esclareceu, em nota, que os investimentos são financiados por receitas de operações de crédito (Programa de Equilíbrio Fiscal), que entraram no caixa somente em 2026. “Os desembolsos observados em 2026 refletem a fase de execução de iniciativas que foram estruturadas anteriormente e não uma decisão conjuntural associada ao calendário eleitoral”, diz.

Os dados compilados pela consultoria Aequus foram retirados dos relatórios resumidos de execução orçamentária entregue pelos Estados à Secretaria do Tesouro Nacional. O levantamento considera receitas realizadas e despesas liquidadas, com atualização pelo IPCA até abril de 2026.

Entre os estados com os descompassos entre aumentos de receitas e despesas, a XP Investimentos aponta ainda Mato Grosso (despesa: +16,6%, receita: +4,9%); Tocantins (+12,8% contra +0,9%); e Paraíba (+14,2% ante +4,5%). Por outro lado, o Espírito Santo apresenta resultados positivos, com a despesa crescendo +6,6%, e a receita aumentando +16,6%. Pará e Goiás também tiveram resultados positivos.

FONTE TRIBUNA DO NORTE

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