Considerado o maior evento de comunicação política e institucional do Nordeste, o Persona Summit já tem data para sua segunda edição: será no dia 23 de outubro, no Hotel Praiamar Arena – antigo Holliday Inn, localizado ao lado da Arena das Dunas.
Realizado pela Persona Marketing, empresa do grupo Fácil Comunicação, o Persona Summit contará com dois palcos abordando temas como comunicação para mandatos, comunicação humana, inteligência artificial, gerenciamento de crise e direito eleitoral.
O evento terá palestras de nomes nacionais. “São colegas que vêm de vários estados do Brasil, como São Paulo, Santa Catarina e da Bahia”, conta Alan Oliveira, idealizador do evento e fundador do grupo Fácil Comunicação e da Persona Marketing.
Além de Alan Oliveira, que tem mais de 45 campanhas vitoriosas no portfólio, estão entre os palestrantes quase 40 nomes, como: Paulo Victor Bispo, diretor digital da Prefeitura de Salvador (BA); Emerson Saraiva, diretor da plataforma Eleja-se; e Gisele Meter, consultora digital e fundadora da Estratégia Parlamentar. Fred Perillo, tido por Alan como “um dos maiores treinadores políticos do Brasil”, e Wilsinho Pedroso, coordenador da campanha de Pablo Marçal (PRTB) à Prefeitura de São Paulo em 2024.
O peso do digital na construção da imagem política
Em entrevista ao Central Agora RN, da TV Agora RN, Alan Oliveira falou que a comunicação digital tem papel crucial na política contemporânea. Para o estrategista de marketing, as redes sociais já representam uma fatia significativa do sucesso eleitoral. “A rede social hoje é 60% hoje, na minha opinião, de uma eleição”, estimou.
Ele defendeu que a campanha para 2026 já começou e que os políticos não podem esperar o ano eleitoral para se estruturar. “Quem achar que a campanha vai começar no próximo ano está totalmente enganado. Tem gente que vai deixar, por exemplo, para se estruturar só no ano eleitoral. E aí, realmente, é uma perda de tempo gigante”, declarou.
Oliveira destacou a necessidade de os políticos estarem presentes em diversas plataformas. “Eu tenho o meu Instagram, eu tenho o meu TikTok. Cabe abrir o meu TikTok. Hoje o TikTok deixou de ser aquela rede social da dancinha. Hoje ela tem conteúdo. Você precisa ter, por exemplo, um bom canal de comunicação do WhatsApp. Comunidades que você pode criar nesse momento”.
No entanto, o especialista fez um alerta crucial: não existe uma fórmula única a ser copiada. A estratégia deve ser personalizada. “É um tiro no pé achar que o modelo daquela cidade, daquele estado, é só replicar que vai funcionar para você. Isso não existe”, afirmou. “As pessoas querem estar próximas do político. Eu quero ser íntimo daquela pessoa, criar uma conexão por intimidade”.
Comunicação pública: informar e humanizar
Ao falar sobre a comunicação de órgãos públicos, Alan Oliveira enfatizou o equilíbrio entre ser informativo e humanizado. “Hoje a rede social de órgão público é informativa e humanizada. E aí tem um equilíbrio em relação ao gestor e à comunicação oficial”. Ele alertou para o erro de usar o canal institucional para autopromoção do gestor, esclarecendo, porém, que não há proibição de divulgar ações da gestão.
Como exemplo positivo, ele citou a Prefeitura de Salvador. “Se você analisar o caso da Prefeitura de Salvador, o prefeito não aparece nas redes sociais. O que aparece? População, povo, prestação de serviços, uma sacada, um bom roteiro”. Ele ilustrou com casos criativos de comunicação.
Inteligência artificial e fake news: os novos desafios
Alan Oliveira alertou para os grandes desafios que a inteligência artificial e as fake news representam para as eleições de 2026. Ele lembrou do uso da ferramenta nas eleições argentinas de 2023 e projetou um cenário preocupante, com a criação de imagens e vídeos falsos envolvendo candidatos.
Sobre as fake news, o especialista destacou a dificuldade de regulação e a necessidade de uma resposta ágil. “Para você político, você tem que estar atento a ter um gerenciamento de crise muito efetivo e resposta rápida. A gente vê muitas pessoas demorando demais a responder, a se posicionar sobre alguns fatos”.
Ele adiantou que o Persona Summit terá um painel dedicado a esse tema: “A gente vai estar com um painel da Justiça Eleitoral para debater os desafios das eleições para 2026. Como é que vai ser essa regulamentação de combater cada vez mais a inteligência artificial de forma, até para contrainformação, que acho que vai ser um grande desafio para muita gente”.
Digital é poderoso, mas não é a ‘bala de prata’
Para encerrar, Alan Oliveira fez uma ponderação crucial: embora poderoso, o marketing digital não é a solução para tudo. A comunicação offline permanece fundamental. “A comunicação política é um conjunto. Acho que as redes sociais fazem parte da sua estratégia. Mas o offline, TV, rádio, mobilização, jornal impresso, rádio… O poder da mobilização é super importante”.
Ele reforçou que achar que apenas o digital é suficiente para vencer uma eleição é um equívoco. “Achar que só o digital ganha eleição não dá certo. É loucura pensar isso. O poder da propaganda eleitoral gratuita no processo eleitoral também é super importante”.
A chave, segundo ele, é a consistência e a proximidade com o eleitor ao longo de todo o mandato, não apenas em período eleitoral. “O que tem de político aparecendo só em ano eleitoral é um absurdo. Então, você precisa ter realmente um mandato cada vez mais próximo das pessoas, produzindo conteúdo, falar o que você… E colocando a cara na hora da crise, não deixar para depois”.
E, por fim, um conselho descontraído, porém sábio, sobre autenticidade: “Eu só digo o seguinte: amigo, não invente dançar, porque só dança quem se garante”.