O ex-presidente Michel Temer (MDB), de 84 anos, afirmou nesta segunda-feira 15 que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu a chance de adotar um discurso de pacificação nacional ao deixar a prisão em 2019. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Temer afirmou que o petista deveria ter seguido o exemplo do líder sul-africano Nelson Mandela, que lutou contra o regime do apartheid.
“Eu acho que o presidente Lula perdeu uma grande oportunidade, até quando deixou a detenção. Eu me lembrei muito do Mandela, que ficou 27 anos preso numa cela. Quando saiu, saiu pregando a unidade da África do Sul e a pacificação com os brancos. Eu acho que ele (Lula) perdeu essa oportunidade, porque ele poderia dizer: ‘olha, eu vou dedicar esse prazo que eu fiquei fora à pacificação do País’. Mas não fez isso”, disse Temer.
Segundo o ex-presidente, Lula optou por um tom mais duro contra adversários políticos. “Ele usa palavras bastante ásperas às vezes em relação àqueles que o apenaram, aqueles que são seus inimigos. Acho que isso não vale a pena”.
Temer comparou a situação com sua própria experiência no Palácio do Planalto, entre 2016 e 2018. Ele assumiu o cargo após o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) e, na época, foi acusado pela oposição de tramar um “golpe”.
“Eu tive dois anos e meio de governo com uma oposição política, legítima até, muito feroz, e uma oposição institucional, daqueles que quiseram me derrubar do governo. Eu nunca dei uma palavra negativa em relação a ninguém”, afirmou Temer.
O emedebista citou ainda pressões para que cortasse verbas da União destinadas a veículos de imprensa críticos à sua gestão. “Os que vieram a mim disseram: ‘Você precisa cortar verbas da entidade tal, do setor de comunicação tal’. Não, senhor, não corto absolutamente nada. E não cortar absolutamente nada resultou que, ao final do meu governo, alguns meios de comunicação me convidaram para jantar, me agradeceram muito o meu governo”, declarou.
Para Temer, lideranças dos Três Poderes devem buscar equilíbrio e não alimentar conflitos. “Eu acho que a palavra de um presidente da República, a palavra de um presidente do Congresso, de um presidente do Supremo, do Judiciário, tem de ser uma palavra sempre de muita harmonia, e as palavras ásperas são venenosas, elas criam problemas, como está criando problemas a relação Brasil-Estados Unidos.”
Fonte: AgoraRN